No extremo oriental da Ilha da Madeira existe uma estreita península de características naturais únicas, esculpida ao longo dos anos pela força do Atlântico e cujas rochas transmitem os episódios primordiais da construção da denominada “pérola do Atlântico”. Sejam bem-vindos à Ponta de São Lourenço!  

A Ponta de São Lourenço constitui a terminação leste da estrutura do edifício vulcânico da Madeira, um enorme vulcão (ou conjunto de vulcões) em escudo, do tipo Havaiano (mais informações aqui), que se ergue da planície abissal, aos 4000 metros de profundidade, num comprimento total aproximado de 50 km, no seio da Placa Africana (Ramalho et al., 2005).

Considerada como um excelente exemplo de uma crista vulcânica criada por actividade eruptiva fissural, efusiva e explosiva, é formada por uma grande diversidade de materiais vulcânicos, nomeadamente escoadas basálticas e depósitos piroclásticos, com idades que variam entre 5,2 Ma e 0,9 Ma (Klügel et al., 2009), pertencentes às principais unidades estratigráficas da Ilha da Madeira.

A grande quantidade de cortes naturais expostos nas arribas desta península, graças aos processos de erosão costeira, proporciona excelentes condições para a observação de diversos aspectos geológicos importantes na compreensão das diferentes etapas de construção da Ilha da Madeira, tendo sido classificados 8 geossítios de valor científico excepcional que, aliado ao grande valor estético da região, torna-se um local de visita obrigatória.

Junte-se à Hike Land e numa próxima oportunidade percorra connosco os maravilhosos trilhos desta península inigualável!


Referências

Klügel, A., Schwarz, S., Van Den Bogaard, P., Hoernle, K.A., Wohlgemuth-Ueberwasser, C.C. & Köster, J.J. 2009. Structure and evolution of the volcanic rift zone at Ponta de São Lourenço, eastern Madeira. Bulletin of Volcanology, 71, 671-685. Disponível em URL.

Ramalho, R., Madeira, J., Fonseca, P.E., Silveira, A., Prada, S. & Rodrigues, C.F. 2005. Tectónica da Ponta de São Lourenço, Ilha da Madeira. Cadernos Laboratorio Xeolóxico de Laxe, 5, 223-234. Disponível em URL.

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