O único livro físico, com o qual parti para a minha "Odisseia Asiática" - e que pode ser encontrada aqui -, foi a Arte da Viagem de Paul Theroux. Este, acompanhou-me ao longo dos primeiros 3 meses e correspondeu a praticamente todo o período em que estive na China, tornando-se principalmente por isso, num livro sentimental.

Na altura, ainda sem recurso a tecnologias de localização (acesso a GPS e smarthphone) a China, foi a experiência da "alienação do espaço" - imagine o que significa não conseguir ler, não saber se está na rua que deseja, ou até se o autocarro inter-cidades está a ir na direção "certa". Isto foi China. O livro de Theroux, tornou-se por isso na altura, numa autêntica bíblia, neste caso de viagens e conhecimento.

Este livro é por isso a súmula perfeita, de cinquenta anos de viagens e recolha de textos que formaram Theroux como leitor e viajante, um manual de viagem literário, um guia filosófico, uma antologia de grandes autores que viajaram. Deste modo, e para quem gosta de viajar - mesmo que não fisicamente - este é um livro essencial, diria mesmo obrigatório! Deixe-se conduzir ao longo das suas páginas, sonhe, leia, viaje e no final, torne-se mais tolerante.

"A Viagem é um estado de espírito. Não tem nada a ver com a existência nem com o exótico. É quase sempre uma experiência íntima." - Paul Theroux, Fresh Air Friend

"A viagem é fatal para o preconceito, a intolerância e a estreiteza de espírito, e muitos dos nossos precisam urgentemente dela por causa dessas coisas. Visões largas, sadias e benevolentes de homens e coisas não se podem adquirir vegetando toda a vida num cantinho da Terra." - Mark Twain, Innocents Abroad (1869)

" [...] À medida que vemos mais coisas, tornamo-nos possuidores de mais certezas e consequentemente adquirimos mais princípios de raciocínio e descobrimos uma base mais ampla de anologia." - Samuel Johnson, Journey to the Western Islands of Scotland

 "Infelizmente, o tipo de indivíduo que é programado para ignorar o sofrimento pesssoal e continuar a forçar o caminho para o topo também está frequentemente programado para desprezar sinais de grave e iminente perigo. Isto é a essência de um dilema que todo o escalador do Evareste, acaba por enfrentar: para ter êxito, tem de estar muito motivado, mas se estiver muito motivado, é provável que morra. Acima dos 8000 metros, além disso, a linha entre zelo adequado e a febre imprudente do cume torna-se preocupantemente fina. Assim, as encostas do Evareste estão cheias de cadáveres." - Jon Krakauer, Into Thin Air (1999)

"Talvez, então, a viagem fosse isso, uma exploração dos desertos da minha mente em vez dos que me rodeavam." - Claude Lévi-Strauss, Tristes Tropiques

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