Desta vez, a nossa rubrica "Pegadas Literárias", foca-se em João de Melo, açoriano e escritor com mais de 20 livros publicadas, entre eles: ensaios, antologias, poesia, romances e contos. E que melhor livro, para descobrir a escrita de João de Melo? Açores, O Segredo das Ilhas. Sente-se e sinta-se confortável, vamos viajar até às ilhas da "Atlântida"? 

A primeira vez que tive o privilégio de pisar uma das ilhas da "Atlântida", corria o ano de 2018 e na bagagem para além da roupa de caminhada, viajou este livro que me fora oferecido semanas antes - um relato apaixonado e que nos desvenda alguns dos segredos mais bem guardados destas ilhas encantadas.

 

 

Açores, O Segredo das Ilhas, não se trata de um guia de viagem, mas antes e nas palavras do autor: "[...] comporta vários géneros e formas de ver: descoberta e revelação das ilhas, aventura e prazer em ritmo de crónica, expressão sentimental, decifração misteriosa da vida, inventário de lugares e campos murados por sebes de hortênsias, relevos e recortes da costa marítima, lagoas, povoações, vilas e cidades dos Açores". Na minha ótica, este livro pode ser encarado como uma bússola, um mapa que nos norteia, uma luz que nos ilumina pelos oceanos de névoa, luz e sombra que abraçam toda a riqueza paisagística deste santuário natural abençoado pelos deuses do Ar, da Terra, do Fogo e da Água.

"[...] e recordo tudo o que sei a respeito das ilhas, de todas as ilhas do mundo que até agora conheci. Nenhuma delas teve a fortuna de realizar uma tão perfeita noção de ilha como a das Flores. Dela se pode e deve dizer que é, sem dúvida, ilha de todas as ilhas portuguesas. [...] Mas se for certo dizer-se que há nas Flores e a síntese, a confluência de toda a paisagem insular (porque nenhuma outra comporta a da ilha das Flores, enquanto esta reúne em si tudo o que de mais essencial nas outras). "

" O lugar onde me encontro não é senão um ponto que me liga à equidistância e à forma oblonga da Ilha Terceira. Tudo isto é concêntrico e dinâmico; gira a compasso, sob o mecanismo da esfera. Posso e devo acrescentar: aqui é o centro da Terra, talvez mesmo o centro do Universo. O Algar do Carvão, no fundo da grande Caldeira vulcânica, faz de eixo vertical e absoluto desta ilha."

"Tudo o que há a escrever sobre o Pico está nele patente e dito por escrito; paira no ar como algo que falta captar e que nunca ninguém há-de lograr dizer ou escrever: uma intimidade exposta, uma evidência oculta que nem os estranhos, nem mesmo os seus naturais, alguma vez conseguirão revelar. Porque o Pico não existena nossa realidade; é-nos metafísico ou ontológico. A sua montanha vai e volta, levada e trazida sobre um andor de nuvens [...]."

 

Em Setembro junte-se à Hike Land e parta à descoberta - Flores e Corvo: Natureza em Estado Puro - e - Terceira: A Ilha da Elipse Perfeita.

 

Anterior
Novo Guia – Hike Land
Próximo
Pegadas Literárias: “Na Patagónia”