A escrita é de tal forma marcante para a Humanidade que se tornou na fronteira entre a História e a Pré-História, e o momento em que iniciámos o registo de acontecimentos. Dos primeiros símbolos gravados em argila e pedra, até ao mundo digital em que vivemos, os livros são marcos de uma verdadeira revolução e continuam a ser por direito próprio, parte integrante da memória da Humanidade. 

Nestes tempos de confinamento - físico - em que muitos de nós vivem, num mundo submergido por demasiadas palavras, a maioria delas ocas e vazias, o livro ganha assim contornos de "redentor". Para primeira rúbrica de "pegadas literárias", a nossa escolha recaí em "Silêncio na Era do Ruído", de Erling Kagge.

Esta escolha nunca poderia ser "inocente", e se há momentos na História Moderna que ler determinado livro, em determinado contexto pode realmente fazer sentido, esta é uma dessas raras oportunidades. A primeira coisa que apreciamos na escrita de Kagge, é a sua visão do Mundo extremamente embuída na sua vivência prática enquanto Explorador do nosso globo azul. Mais do que um ensaio filósofico sobre o Silêncio, Kagge traz-nos um manuscrito pessoal com relatos de grande sensibilidade mesclados com uma visão depurada da realidade. Um livro que traz inúmeras respostas, mas também questões. Não é afinal essa, uma das muitas maravilhas do Silêncio!?

 

"SEMPRE QUE NÃO POSSO CAMINHAR, subir a uma montanha ou navegar para longe do mundo, aprendi a desligar-me dele."

"Há tantos ruídos que mal os ouvimos a todos. Aqui era diferente. A natureza falava comigo através do silêncio. Quanto mais silencioso eu ficava, mais ouvia."

"Trata-se de saber como somos modificados pela tecnologia que utilizamos, o que esperamos aprender, a nossa relação com a natureza, com aqueles que amamos, o tempo que gastamos, a energia que é consumida, e a quanta liberdade renunciamos em nome da tecnologia."

"Não há nenhum livro escrito que possa dizer-nos mais do que aquilo que nós próprios experimentámos."

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